{"id":839,"date":"2014-05-07T00:41:14","date_gmt":"2014-05-07T00:41:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.socepel.com.br\/wpress\/?p=839"},"modified":"2014-05-08T00:50:02","modified_gmt":"2014-05-08T00:50:02","slug":"passei-por-varios-processos-de-exclusao-diz-claudia-werneck-especialista-em-down","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socepel.com.br\/?p=839","title":{"rendered":"\u201cPassei por v\u00e1rios processos de exclus\u00e3o&#8221;, diz Claudia Werneck, especialista em Down"},"content":{"rendered":"<p>A fun\u00e7\u00e3o do jornalista est\u00e1 estritamente ligada ao papel de transmitir informa\u00e7\u00e3o. Como filosofia de vida, Claudia Werneck levou essa premissa a s\u00e9rio e hoje trabalha para um p\u00fablico que conquistou ao longo da carreira. A especializa\u00e7\u00e3o em tratar temas sens\u00edveis \u00e0 vida do cidad\u00e3o foi fundamental para que passasse a ser refer\u00eancia no mercado, atuando em organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental<\/p>\n<p>Cr\u00e9dito:Paulo Rodrigues<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.socepel.com.br\/wpress\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Noticia_20140507-21_Imagem.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-840\" src=\"http:\/\/www.socepel.com.br\/wpress\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Noticia_20140507-21_Imagem.jpg\" alt=\"Noticia_20140507-21_Imagem\" width=\"500\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Noticia_20140507-21_Imagem.jpg 500w, https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Noticia_20140507-21_Imagem-300x198.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a>Tudo come\u00e7ou com uma situa\u00e7\u00e3o inusitada, quando a jornalista n\u00e3o estava preparada para responder uma quest\u00e3o. \u201cEm 1991, eu era chefe de reportagem da revista <em>Pais&amp;Filhos<\/em>. Um dia, o meu filho mais velho, Diego, na \u00e9poca com sete anos, me pediu para ir visitar o irm\u00e3ozinho rec\u00e9m-nascido de um colega da escola. Chegando l\u00e1, ao me debru\u00e7ar para conhecer o pequenino dormindo no ber\u00e7o, sua m\u00e3e, que eu havia acabado de conhecer, me disse: \u2018Voc\u00ea viu? Ele nasceu com S\u00edndrome de Down\u2019\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAo saber que eu era jornalista, ela me pediu ajuda para saber quem era aquele filho que havia chegado. Andaria? Casaria? Aprenderia a ler? Informa\u00e7\u00f5es sobre s\u00edndrome de Down eram raras. Prometi ajud\u00e1-la. Naquela noite, n\u00e3o dormi, perplexa e envergonhada com o meu despreparo para lidar com o assunto\u201d, completa. O fato fez com que reascendesse na jovem um \u201cideal de inf\u00e2ncia&#8221;, quando j\u00e1 compartilhava com seu pai, historiador, o desejo de ser jornalista para disseminar uma causa. &#8220;Mas, at\u00e9 ent\u00e3o, nenhuma causa havia realmente me mobilizado\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Em seguida, a profissional resolver abra\u00e7ar a luta e escrever sobre o assunto no peri\u00f3dico, uma vez que o problema vivenciado poderia ser semelhante ao ocorrido em outros casos. A repercuss\u00e3o foi t\u00e3o positiva que, com essa mat\u00e9ria, publicada em agosto de 1992, ela ganhou men\u00e7\u00e3o honrosa no I Pr\u00eamio Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira de Jornalismo sobre Sa\u00fade, da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira. \u00a0\u201cAntes mesmo do pr\u00eamio e cada vez mais impressionada com o que estava descobrindo sobre o que \u00e9 viver nesse planeta com uma defici\u00eancia intelectual, decidi escrever um livro, o <em>&#8220;Muito prazer, eu existo&#8221;,<\/em> lan\u00e7ado em 1992, e que se tornou o primeiro livro sobre s\u00edndrome de Down para leigos no Brasil, hoje um cl\u00e1ssico com v\u00e1rias reedi\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Cr\u00e9dito:Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.socepel.com.br\/wpress\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Noticia_20140507-22_Imagem.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-841\" src=\"http:\/\/www.socepel.com.br\/wpress\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Noticia_20140507-22_Imagem.jpg\" alt=\"Noticia_20140507-22_Imagem\" width=\"500\" height=\"335\" srcset=\"https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Noticia_20140507-22_Imagem.jpg 500w, https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Noticia_20140507-22_Imagem-300x201.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a>Por conta do livro e do objetivo de reapresentar pessoas nascidas com s\u00edndrome de Down \u00e0 sociedade, a jornalista recebeu mais de tr\u00eas mil cartas e centenas de telefonemas de diversos cantos do pa\u00eds pedindo ajuda no tratamento da quest\u00e3o. \u201cPassei a dar palestras pelo Brasil e outros pa\u00edses, al\u00e9m de centenas de entrevista na m\u00eddia. Contei imediatamente com o apoio incondicional do minha fam\u00edlia: m\u00e3e, pai, filho, filha e marido\u201d. No entanto, com o bom trabalho desenvolvido, logo se estendeu alguns problemas que surgem a partir do momento que um projeto ganha notoriedade no contexto em que se est\u00e1 inserido.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o tenha sofrido amea\u00e7as, acabou passando \u201cpor v\u00e1rios processos de exclus\u00e3o&#8221;. &#8220;Mesmo com o primeiro livro\u00a0sendo um sucesso, eu me sentia exclu\u00edda e era criticada, pois para o senso comum era estranho ver uma jornalista especializada em s\u00edndrome de Down, defici\u00eancia, inclus\u00e3o. Era como se essa especialidade, ao contr\u00e1rio de gastronomia, pol\u00edtica ou futebol, n\u00e3o tivesse qualquer sentido ou import\u00e2ncia. Para os meus amigos jornalistas, eu deixara de ser jornalista. Para os m\u00e9dicos e educadores, era uma intrusa. Para os profissionais da literatura, eu n\u00e3o fazia literatura.\u201d.<\/p>\n<p>Claudia diz que logo entendeu a problem\u00e1tica. \u201cQuando se defende um assunto sobre o qual o n\u00edvel de exclus\u00e3o \u00e9 muito grande, vivemos a exclus\u00e3o do que defendemos\u201d, afirma. Mesmo com o vi\u00e9s negativo de colegas que n\u00e3o apreciavam sua causa, ela continuou.<\/p>\n<p>Em 1994, ela passou a escreveu sobre s\u00edndrome de Down para crian\u00e7as, criando os primeiros livros infantis da literatura brasileira com personagens humanos com defici\u00eancia, como a Cole\u00e7\u00e3o &#8220;Meu Amigo Down&#8221; e o &#8220;Um amigo diferente?&#8221;. Segundo a jornalista, as obras passaram a ser retiradas de concursos liter\u00e1rios \u201csob a alega\u00e7\u00e3o de que o tema defici\u00eancia n\u00e3o era universal, de interesse para a forma\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes\u201d.<\/p>\n<p>Nada que impede ou desanima Claudia, que ainda hoje enfrenta tal modo de pensar. \u201cQuando escrevo um livro que n\u00e3o \u00e9 sobre inclus\u00e3o, como \u00e9 o caso de &#8220;Sonhos do Dia&#8221;, publicado pela WVA Editora, em 2011, e que se tornou o primeiro livro para crian\u00e7as editado em sete formatos acess\u00edveis, enfrento muita resist\u00eancia de obter espa\u00e7o de divulga\u00e7\u00e3o na \u00e1rea cultural ou de literatura dos meios de comunica\u00e7\u00e3o\u201d. Neste caso, prevalece a ideia de que se a obra tem formatos acess\u00edveis &#8211; o que \u00e9 lei no Brasil &#8211; ele necessariamente s\u00f3 interessa a crian\u00e7as com defici\u00eancia, e ent\u00e3o o seu espa\u00e7o de divulga\u00e7\u00e3o \u00e9 outro, n\u00e3o na cultura ou literatura.<\/p>\n<p>Aos poucos, a luta pela inclus\u00e3o social foi deixando de ser apenas uma pauta para se tornar um objetivo de vida. A transi\u00e7\u00e3o ocorreu a partir de algumas vari\u00e1veis. \u201cFui aprendendo sobre a solid\u00e3o e as necessidades espec\u00edficas de algumas popula\u00e7\u00f5es no Brasil, principalmente de pessoas com defici\u00eancia de popula\u00e7\u00f5es de baixa renda. Pude testar os limites da minha profiss\u00e3o. Finalmente eu exercia o jornalismo com o qual sonhara desde a inf\u00e2ncia e que me mobiliza at\u00e9 hoje\u201d. Para ela, todo jornalista deve ser um &#8220;agente de hist\u00f3ria&#8221;, \u201cprincipalmente das hist\u00f3rias silenciosas, que nunca s\u00e3o relatadas, porque simplesmente n\u00e3o acontecem\u201d.<\/p>\n<p>&#8220;Como jornalista, defendo que os mais graves atos de discrimina\u00e7\u00e3o se d\u00e3o nos processos de comunica\u00e7\u00e3o, independentemente do conte\u00fado que est\u00e1 sendo transmitido. Todas essas ideias deram origem, em 2002, a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil \u2018Escola de Gente \u2013 Comunica\u00e7\u00e3o em Inclus\u00e3o\u2019\u201d. A organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental idealizada por Claudia surgiu em decorr\u00eancia das a\u00e7\u00f5es produzidas tanto por especialistas de comunica\u00e7\u00e3o, como por ativistas na inclus\u00e3o social.<\/p>\n<p>A iniciativa tem como objetivo mostrar que a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rea do conhecimento que deve ser mais bem utilizada a favor da integra\u00e7\u00e3o de grupos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade na sociedade, especialmente crian\u00e7as, adolescentes com defici\u00eancia. \u201cConcebemos e realizamos projetos que envolvem a forma\u00e7\u00e3o de jovens <em>Oficineiros da Inclus\u00e3o, Agentes de Promo\u00e7\u00e3o da Acessibilidade<\/em>, artistas como o grupo <em>Os Inclusos e os Sisos &#8211; Teatro de Mobiliza\u00e7\u00e3o pela Diversidade<\/em>, de especialistas em pol\u00edticas de comunica\u00e7\u00e3o, cultura, juventude, educa\u00e7\u00e3o &#8211; sempre na perspectiva da acessibilidade, da defici\u00eancia e da inclus\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFazemos da comunica\u00e7\u00e3o nossa estrat\u00e9gia, dos direitos humanos nosso territ\u00f3rio, da juventude nosso principal agente de transforma\u00e7\u00e3o e da inf\u00e2ncia nosso maior p\u00fablico benefici\u00e1rio. Tudo o que fazemos \u00e9 para a garantia dos direitos de todas as crian\u00e7as. Todos os direitos para todas as crian\u00e7as\u201d, declara.<\/p>\n<p>Nos onze anos de funcionamento, a Escola de Gente sensibilizou mais de 410 mil pessoas de 17 pa\u00edses das Am\u00e9ricas, \u00c1frica, Oceania e Europa em torno do desenvolvimento inclusivo e sustent\u00e1vel. Recentemente, a entidade encerrou mais um projeto premiado que leva teatro inclusivo a comunidades com as Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora (UPP) no Rio de Janeiro. \u201cO diferencial \u00e9 que al\u00e9m de apresentarmos um espet\u00e1culo acess\u00edvel, ensinamos como se faz, discutindo conceitos como discrimina\u00e7\u00e3o, preconceito e inclus\u00e3o. Mais de 1.600 adolescentes foram sensibilizados pelo projeto, e nosso desejo \u00e9 que tenha continuidade o ano que vem\u201d.<\/p>\n<p>Todavia, a \u00e1rea cultural sempre foi um dos focos da empreitada. Um dos trabalhos do grupo <em>Os Inclusos e os Sisos \u2013 Teatro de Mobiliza\u00e7\u00e3o pela Diversidade<\/em>, foi idealizado pela filha, a atriz Tat\u00e1 Werneck, em 2003, \u201cEla reuniu um grupo de amigos, todos estudantes da UniRio, que passaram a receber forma\u00e7\u00e3o continuada da Escola de Gente em temas como legisla\u00e7\u00e3o, Direitos Humanos, acessibilidade, o que lhes deu conte\u00fado para a cria\u00e7\u00e3o de esquetes e m\u00fasicas sobre inclus\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Porquanto, todo este planejamento demanda investimentos, custos. Para se manter sustent\u00e1vel, a Escola de Gente possui patrocinadores de projetos sociais e culturais. \u201cO trabalho de capta\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00e1rduo, exige muita energia, relacionamento com parceiros, transpar\u00eancia em todos os processos, incluindo as presta\u00e7\u00f5es de contas, documenta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e minuciosa de todas as a\u00e7\u00f5es\u201d, afirma Claudia, que est\u00e1 com \u00f3timas expectativas com rela\u00e7\u00e3o aos projetos em andamento em 2014.<\/p>\n<p><em>* Com supervis\u00e3o de Vanessa Gon\u00e7alves<\/em><\/p>\n<p>Fonte:http:\/\/www.portalimprensa.com.br\/noticias\/carreira\/65573\/passei+por+varios+processos+de+exclusao+diz+claudia+werneck+especialista+em+down<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fun\u00e7\u00e3o do jornalista est\u00e1 estritamente ligada ao papel de transmitir informa\u00e7\u00e3o. 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