{"id":7126,"date":"2020-12-03T02:00:05","date_gmt":"2020-12-03T02:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/socepel.com.br\/?p=7126"},"modified":"2020-12-06T02:14:56","modified_gmt":"2020-12-06T02:14:56","slug":"tres-pessoas-com-deficiencia-relatam-quais-os-principais-desafios-para-a-acessibilidade-universal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socepel.com.br\/?p=7126","title":{"rendered":"Tr\u00eas pessoas com defici\u00eancia relatam quais os principais desafios para a acessibilidade universal"},"content":{"rendered":"<p>Cal\u00e7adas sem rampa, pisos t\u00e1teis inadequados e falta de profissionais habilitados em Libras est\u00e3o entre as principais dificuldades das PCDs<\/p>\n<p>As regras e a infraestrutura das cidades jogam contra as\u00a0<a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/ultimas-noticias\/tag\/pessoa-com-deficiencia\/\"><strong>pessoas com defici\u00eancia<\/strong><\/a>\u00a0(PCDs). As cal\u00e7adas sem rampas se transformam em muros para usu\u00e1rios de cadeiras de rodas. O piso t\u00e1til instalado de maneira inadequada exp\u00f5e pessoas cegas a acidentes. E a escassez de um card\u00e1pio adaptado ou de profissionais habilitados a falar a L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras) dificulta, at\u00e9 mesmo, a ida de quem tem defici\u00eancia auditiva a um restaurante.<\/p>\n<p>O mundo prioriza corpos e habilidades padr\u00e3o enquanto, aproximadamente, 45 milh\u00f5es de brasileiros vivem com algum tipo de defici\u00eancia f\u00edsica, segundo o Instituto Brasileiro de Economia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p><strong>Mais desta reportagem<br \/>\n<\/strong><a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/saude\/vida\/noticia\/2020\/12\/dia-internacional-da-pessoa-com-deficiencia-15-dicas-para-sermos-mais-inclusivos-cki99kams009m019wv9kgwtrv.html\"><strong>Dia Internacional da Pessoa com Defici\u00eancia: 15 dicas para sermos mais inclusivos\u00a0<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Os primeiros dias de dezembro marcam uma forte campanha em prol das PCDs. Em 3 de dezembro, temos o Dia Internacional da Pessoa com Defici\u00eancia, no dia 5, o da Acessibilidade, e o 9 de dezembro marca o Dia Nacional da Crian\u00e7a com Defici\u00eancia. As datas est\u00e3o nos calend\u00e1rios, leis de inclus\u00e3o e acessibilidade foram aprovadas, mas as dificuldades persistem.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7127 aligncenter\" src=\"https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Noticia_20207126A_Imagem.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"452\" srcset=\"https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Noticia_20207126A_Imagem.jpg 650w, https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Noticia_20207126A_Imagem-300x209.jpg 300w, https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Noticia_20207126A_Imagem-392x272.jpg 392w, https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Noticia_20207126A_Imagem-130x90.jpg 130w, https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Noticia_20207126A_Imagem-600x417.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/p>\n<p>Moradora da Capital e usu\u00e1ria de cadeira de rodas desde 2009, Katia Santos, 48 anos, conta que, h\u00e1 mais de 10 anos, ela n\u00e3o vai ao bairro Centro Hist\u00f3rico por se sentir insegura. Os diversos obst\u00e1culos presentes nas cal\u00e7adas, os desn\u00edveis e as lajotas soltas comprometem sua circula\u00e7\u00e3o \u2013 de maneira independente \u2013 pela regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Infelizmente, Porto Alegre \u00e9 uma cidade muito inacess\u00edvel. O Centro \u00e9 muito ruim, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 exclusividade dele. Os bairros\u00a0<a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/ultimas-noticias\/tag\/menino-deus\/\"><strong>Menino Deus<\/strong><\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/ultimas-noticias\/tag\/moinhos-de-vento\/\"><strong>Moinhos de Vento\u00a0<\/strong><\/a>tamb\u00e9m n\u00e3o foram pensados para a gente. Nos bairros perif\u00e9ricos, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais grave. Tenho medo de sair sozinha com minha cadeira de rodas, porque j\u00e1 tombei aqui nas cal\u00e7adas do meu bairro, tive que ser levantada por estranhos. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o muito constrangedora e revoltante, porque nos \u00e9 ceifado o direito de ir e vir. Quero ter a liberdade de sair sem precisar de ajuda \u2014 desabafa Katia.<\/p>\n<p>A falta de acessibilidade universal faz com que a ida ao supermercado se torne um desafio, j\u00e1 que muitas rampas s\u00e3o \u00edngremes ou irregulares demais. Quando se tratava de um encontro com as amigas, a escolha do local onde aconteceria o happy hour tamb\u00e9m precisava ser ponderado:<\/p>\n<p>\u2014 Muitos bares n\u00e3o t\u00eam rampa ou elevador. N\u00e3o consigo explorar a cidade e acabo restringido meu deslocamento aos poucos lugares que eu sei que est\u00e3o, minimamente, preparados para me receber. Al\u00e9m disso, muitas vezes, me vejo na situa\u00e7\u00e3o de ter que calcular se preciso ir ao banheiro antes de sair de casa, porque pode ser que eu n\u00e3o ache um adaptado durante um compromisso na rua.<\/p>\n<p><strong>&#8220;As pessoas nos tornam invis\u00edveis&#8221;, diz Gisele<\/strong><\/p>\n<p>Percal\u00e7os tamb\u00e9m fazem parte do cotidiano de Gisele Oliveira, 48 an os, pedagoga, psic\u00f3loga e especialista em diversidade e inclus\u00e3o. Ela \u00e9 uma pessoa cega desde que nasceu e, al\u00e9m de deparar com pisos t\u00e1teis mal instalados que a levam a trope\u00e7ar no mobili\u00e1rio urbano, situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o vividas com casualidade por indiv\u00edduos sem defici\u00eancia s\u00e3o um grande desafio para Gisele.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7128 aligncenter\" src=\"https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Noticia_20207126B_Imagem.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"443\" srcset=\"https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Noticia_20207126B_Imagem.jpg 650w, https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Noticia_20207126B_Imagem-300x204.jpg 300w, https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Noticia_20207126B_Imagem-130x90.jpg 130w, https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Noticia_20207126B_Imagem-600x409.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 o pagamento por meio de cart\u00e3o. A maioria das m\u00e1quinas s\u00e3o com teclado touch, sem indica\u00e7\u00e3o em Braille, o que torna imposs\u00edvel a correta digita\u00e7\u00e3o da senha. Quando o teclado \u00e9 feito com bot\u00f5es, eles n\u00e3o seguem uma padronagem, o que provoca erros de senha. Mais: segundo Gisele, os dispositivos n\u00e3o t\u00eam sistema que fale o valor digitado pelo operador de caixa. Por isso, ela precisa acreditar e confiar que n\u00e3o agiram de m\u00e1 f\u00e9.<\/p>\n<p>_ Nos restaurantes, poucos s\u00e3o os locais que t\u00eam card\u00e1pio em Braille. Mas observo que h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que podem ser amenizadas se a equipe de atendimento tiver o correto treinamento. Por exemplo, o gar\u00e7om pode ficar comigo e apresentar todo o card\u00e1pio. Tempos atr\u00e1s, entrei em uma loja de sapatos e, pelo toque, gostei de um modelo. Perguntei quais cores estavam dispon\u00edveis e o atendente respondeu: s\u00f3 temos essa. Mas eu n\u00e3o enxergo, n\u00e3o tenho como adivinhar. A atitude da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 inclusiva, falta acessibilidade atitudinal _ pontua.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga relata que, nos supermercados, os leitores de pre\u00e7os n\u00e3o s\u00e3o por voz e isso faz com que ela sempre tenha de ir acompanhada no momento das compras:<\/p>\n<p>_ As pessoas nos tornam invis\u00edveis, tiram a nossa autonomia, nosso potencial, a nossa humanidade por termos habilidades diferentes, que s\u00e3o fora do padr\u00e3o. Minha filha \u00e9 formada \u00e9 bal\u00e9 cl\u00e1ssico e nunca, em nenhuma apresenta\u00e7\u00e3o dela, havia audiodescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Um estrangeiro no pr\u00f3prio pa\u00eds \u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A batalha para se comunicar com as pessoas come\u00e7ou ainda no Ensino Fundamental para William Gon\u00e7alves, 30 anos. No col\u00e9gio, ele tinha que fazer uso da escrita em l\u00edngua portuguesa para falar o que queria. Al\u00e9m dessa barreira, era alvo do preconceito dos falantes de portugu\u00eas:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7129 alignleft\" src=\"https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Noticia_20207126C_Imagem.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Noticia_20207126C_Imagem.jpg 300w, https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Noticia_20207126C_Imagem-281x300.jpg 281w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o tinha ningu\u00e9m para me ajudar. Conseguia e consigo me comunicar e ter minhas demandas atendidas porque sei escrever em portugu\u00eas. \u00c9 cansativo perceber que, at\u00e9 hoje, tenho dificuldade de ir no m\u00e9dico e saber meu diagn\u00f3stico para alguma doen\u00e7a por ele (<em>o m\u00e9dico<\/em>) n\u00e3o falar Libras. \u00c9 cansativo tentar tirar alguma d\u00favida com o gerente do banco. Para casos menos graves, eu escrevo, mas quando o assunto \u00e9 sa\u00fade, sou obrigado a ir acompanhado de algu\u00e9m que interprete meus sinais e o portugu\u00eas. Perco minha autonomia.<\/p>\n<p>Ao longo da vida, William conta que foi atendido somente uma vez por um profissional da sa\u00fade que sabia falar Libras e jamais foi a um evento cultural que tivesse tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A arte de pertencer<\/strong><\/p>\n<p>A exclus\u00e3o das PCDs do conv\u00edvio social \u00e9 flagrante. Contudo, surgem iniciativas que buscam promover e fomentar a liberdade de circula\u00e7\u00e3o por todos os espa\u00e7os culturais e das artes. O projeto Pertence, de Porto Alegre, sugeriu e teve aprovado, em 2019, o Dia do Teatro Acess\u00edvel na cidade. A data busca garantir que pessoa com defici\u00eancia tenha liberdade, autonomia e acessibilidade, afirma Geniane Pereira, coordenadora administrativa no Pertence.<\/p>\n<p>\u2014 Neste ano, promovemos um evento que visava difundir e compartilhar aos princ\u00edpios da metodologia do Pertence atrav\u00e9s de experi\u00eancias acerca de tem\u00e1ticas como: cultura, sa\u00fade, diversidade, acessibilidade e inclus\u00e3o. O objetivo foi disseminar o conhecimento para que mais pessoas, institui\u00e7\u00f5es e projetos tenham acesso e possam reproduzir nossas estrat\u00e9gias.<\/p>\n<p><em>\u00a0*Ana Beatriz Pacheco atuou na tradu\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o de Libras para portugu\u00eas nesta reportagem. \u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Fonte:<a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/saude\/vida\/noticia\/2020\/12\/tres-pessoas-com-deficiencia-relatam-quais-os-principais-desafios-para-a-acessibilidade-universal-cki9984bg0098019wtrd80lgt.html\">https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cal\u00e7adas sem rampa, pisos t\u00e1teis inadequados e falta de profissionais habilitados em Libras est\u00e3o entre as principais dificuldades das PCDs As regras e a infraestrutura das cidades jogam contra as\u00a0pessoas com defici\u00eancia\u00a0(PCDs). 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