{"id":689,"date":"2014-04-01T00:36:41","date_gmt":"2014-04-01T00:36:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.socepel.com.br\/wpress\/?p=689"},"modified":"2014-04-04T00:41:46","modified_gmt":"2014-04-04T00:41:46","slug":"campanha-mobiliza-ajuda-para-surdo-analfabeto-que-se-perdeu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socepel.com.br\/?p=689","title":{"rendered":"Campanha mobiliza ajuda para surdo analfabeto que se perdeu"},"content":{"rendered":"<p align=\"LEFT\"><span style=\"color: #000000;\">&#8220;Surdo longe de casa&#8221; poderia ser o nome de uma obra de fic\u00e7\u00e3o, mas foi o t\u00edtulo dado a uma fan page que garantiu a visibilidade necess\u00e1ria para solucionar o caso de um homem que se perdeu e passou dois anos praticamente sem se comunicar.<\/span><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.socepel.com.br\/wpress\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Noticia_20140401_Imagem.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-690\" alt=\"Noticia_20140401_Imagem\" src=\"http:\/\/www.socepel.com.br\/wpress\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Noticia_20140401_Imagem.jpg\" width=\"500\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Noticia_20140401_Imagem.jpg 500w, https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Noticia_20140401_Imagem-300x255.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">A hist\u00f3ria come\u00e7ou em junho de 2010, em Itapetininga. Numa noite fria daquele m\u00eas, a Pol\u00edcia Militar foi acionada para atender o casal de uma ch\u00e1cara, que afirmava ter um invasor na propriedade, na margem da rodovia Raposo Tavares. Os PMs levaram o suspeito \u00e0 delegacia, onde descobriram que a invas\u00e3o, na verdade, era um pedido de ajuda feito por um deficiente auditivo. Sem entender os gestos do indiv\u00edduo, o encaminharam ao Servi\u00e7o de Obras Sociais da cidade, organiza\u00e7\u00e3o que oferece atendimento com estadia, refei\u00e7\u00f5es, passagem e vestu\u00e1rio a migrantes e pessoas de rua.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Sem mala e sem documento. Foi assim que o sujeito de nome desconhecido chegou ao albergue. Preocupados com a situa\u00e7\u00e3o dele, os funcion\u00e1rios da institui\u00e7\u00e3o pediram aux\u00edlio \u00e0 Integra, entidade que promove a profissionaliza\u00e7\u00e3o e sociabiliza\u00e7\u00e3o de deficientes auditivos em Sorocaba. Alexandre Henrique Elias dos Santos, int\u00e9rprete de L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras) e coordenador na Integra, se prontificou em ajudar. Ao fazer o primeiro contato com o desconhecido, constatou tratar-se de um homem surdo e sem conhecimento de Libras. Suas express\u00f5es com as m\u00e3os n\u00e3o representavam nada na l\u00edngua oficial dos surdos brasileiros. A segunda tentativa foi oferecer a ele papel e caneta, mas tamb\u00e9m desconhecia a L\u00edngua Portuguesa, n\u00e3o sabia escrever nem desenhar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A situa\u00e7\u00e3o intrigou Alexandre. A falta de um documento, por\u00e9m, dificultava que a ajuda chegasse ao homem surdo. Sem uma carteira de identidade, ele n\u00e3o podia se deslocar a Sorocaba, onde seria poss\u00edvel coloc\u00e1-lo em contato com outros surdos e alfabetiz\u00e1-lo na l\u00edngua de sinais.<\/span><br \/>\n<strong><br \/>\nMudan\u00e7a de rumo<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em 2012, Alexandre assistiu a uma reportagem na TV que lhe trouxe a inspira\u00e7\u00e3o para mudar os rumos da hist\u00f3ria do homem cuja identidade ainda era uma inc\u00f3gnita. A mat\u00e9ria era sobre um brutamonte que comoveu milhares de pessoas na internet ao lan\u00e7ar uma campanha no Facebook. Dias depois de divulgar seu caso na internet, o professor de academia estava diante das c\u00e2meras de telejornais, chorando e implorando ajuda para localizar seu pit bull desaparecido. Com ampla divulga\u00e7\u00e3o do caso, em pouco tempo o cachorro apareceu e o reencontro foi destaque em toda a imprensa. &#8220;Me veio \u00e0 cabe\u00e7a: Se esse rapaz conseguiu encontrar o seu pr\u00f3prio cachorro, que tamb\u00e9m n\u00e3o tem formas de se comunicar e de informar o local de onde veio, posso fazer o mesmo para ajudar esse rapaz, que tamb\u00e9m tem dificuldades para comunica\u00e7\u00e3o&#8221;, contou o educador.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A primeira iniciativa de Alexandre foi criar uma conta no Facebook para o &#8220;Surdo longe de casa&#8221;. Em 17 dias, o pedido de ajuda com a foto do deficiente foi espalhado pela rede, atingindo a marca de 5 mil amigos, o n\u00famero m\u00e1ximo permitido de contatos por perfil. &#8220;Isso ocasionou uma visibilidade enorme e pela rede comecei a receber in\u00fameras parcerias em diferentes estados de grupos voltados a pessoas desaparecidas e Institui\u00e7\u00f5es especiais.&#8221; O pr\u00f3ximo passo foi a cria\u00e7\u00e3o da fan page. Sem limites para propagar o apelo por ajuda, em pouco tempo a hist\u00f3ria misteriosa despertou o interesse da m\u00eddia tradicional: programas de TV, sites de not\u00edcias e jornais. A partir da\u00ed, Alexandre reservou um n\u00famero de telefone para divulga\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>Paulinho<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Na manh\u00e3 do dia 23 de junho de 2012 o telefone tocou. Do outro lado, algu\u00e9m dizia: &#8220;Eu conhe\u00e7o esse rapaz. Esse \u00e9 o Paulinho, o Paulo S\u00e9rgio. Ele mora aqui na cidade de Seng\u00e9s, no Paran\u00e1. Ele costuma andar aqui pela pra\u00e7a e \u00e9 irm\u00e3o de um vizinho meu.&#8221; Era o in\u00edcio de um desfecho para a hist\u00f3ria do &#8220;surdo longe de casa&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Na mesma semana, a Justi\u00e7a em Itapetininga estava prestes a conceder um nome provis\u00f3rio para Paulo S\u00e9rgio Jardim, 42 anos, para que ele tivesse uma identidade e usufru\u00edsse dos seus direitos de cidad\u00e3o, como votar e ser matriculado numa escola.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Ap\u00f3s estabelecer contatos na cidade de Paulinho, descobriu-se que ele morava na zona rural do pequeno munic\u00edpio, paralelamente \u00e0 casa de um irm\u00e3o, que n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de ampar\u00e1-lo. A informa\u00e7\u00e3o sobre seu paradeiro chegou at\u00e9 um segundo irm\u00e3o, que residia na \u00e1rea urbana da mesma cidade e se disp\u00f4s a acolh\u00ea-lo, nos fundos da casa onde morava com a esposa. &#8220;Hoje ele tem sua casa pr\u00f3pria nos fundos da casa do seu irm\u00e3o e conseguiu se aposentar pelo INSS&#8221;, afirmou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Um dos resultados mais importantes da campanha, segundo Alexandre, foi o fato de a prefeitura de Seng\u00e9s instituir um \u00f3rg\u00e3o, que passou a atender a todos os deficientes da cidade, de modo a promover a inclus\u00e3o. Al\u00e9m disso, o professor acredita ter propagado na internet e na televis\u00e3o conhecimento sobre a surdez e a import\u00e2ncia do ensino de Libras. &#8220;Pra mim, foi uma ferramenta de compartilhamento que p\u00f4de realmente trazer a alegria de volta aos olhos de um rapaz surdo, que n\u00e3o conseguia exteriorizar a sua hist\u00f3ria. Ajudamos esse rapaz, sua fam\u00edlia que estava preocupada com o seu sumi\u00e7o e abrimos portas pra mostrar que o Facebook \u00e9 uma ferramenta que, se bem usada, \u00e9 de uso inclusivo e social&#8221;, avalia.\u00a0<\/span><strong>(Thiago Arioza)<\/strong><\/p>\n<p align=\"LEFT\">\u00a0Fonte:http:\/\/www.cruzeirodosul.inf.br\/materia\/529149\/campanha-mobiliza-ajuda-para-surdo-analfabeto-que-se-perdeu<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Surdo longe de casa&#8221; poderia ser o nome de uma obra de fic\u00e7\u00e3o, mas foi o t\u00edtulo dado a uma fan page que garantiu a visibilidade necess\u00e1ria para solucionar o caso de um homem que se perdeu e passou dois anos praticamente sem se comunicar. A hist\u00f3ria come\u00e7ou em junho de 2010, em Itapetininga. 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