{"id":5614,"date":"2019-07-31T01:59:28","date_gmt":"2019-07-31T01:59:28","guid":{"rendered":"https:\/\/socepel.com.br\/?p=5614"},"modified":"2020-03-01T00:44:14","modified_gmt":"2020-03-01T00:44:14","slug":"aplicativo-de-brasileira-ajuda-na-alfabetizacao-de-criancas-com-autismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socepel.com.br\/?p=5614","title":{"rendered":"Aplicativo de brasileira ajuda na alfabetiza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as com autismo."},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"337\" src=\"https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Noticia_20195614_Imagem.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5616\" srcset=\"https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Noticia_20195614_Imagem.jpg 600w, https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Noticia_20195614_Imagem-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\n\nCamila Brunelli Colabora\u00e7\u00e3o do UOL VivaBem\n\n<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\nA OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) estima que h\u00e1 70 milh\u00f5es de\npessoas com autismo em todo o mundo, sendo cerca de 2 milh\u00f5es\nsomente no Brasil. Calcula-se que em todo o mundo, uma em cada 160\ncrian\u00e7as tenham o TEA (Transtorno do Espectro do Autismo). No\nBrasil, a estimativa \u00e9 de que uma em cada 88 crian\u00e7as apresenta\ntra\u00e7os de autismo &#8211;com preval\u00eancia cinco vezes maior em meninos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\nTrata-se\nde um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por padr\u00f5es\nde comportamentos repetitivos e dificuldade na intera\u00e7\u00e3o social &#8211;e\nque afeta, especialmente, tr\u00eas dom\u00ednios do desenvolvimento humano:\na comunica\u00e7\u00e3o, a sociabiliza\u00e7\u00e3o e a imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\nEspecialistas\ndizem que a maioria dos pais percebe que h\u00e1 algo de errado antes dos\ndois anos da crian\u00e7a. Entre os sinais mais comuns est\u00e3o a\ndificuldade de brincar de &#8220;faz de conta&#8221;, de socializar com\noutras crian\u00e7as e de comunica\u00e7\u00e3o (verbal e\/ou n\u00e3o-verbal). \u00c9\nimportante que se diga que quanto mais cedo o diagn\u00f3stico for\nconfirmado por profissionais de sa\u00fade, mais cedo um tratamento\nadequado pode ser oferecido, e mais chances de inclus\u00e3o daquela\ncrian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\nAssistente\nsocial de forma\u00e7\u00e3o, a pesquisadora Ana Sarrizo, de Belo Horizonte,\nse deparou com um grupo de crian\u00e7as autistas que faziam atividades\neducativas durante o contra turno escolar, em uma comunidade carente\n&#8211;e sem ferramentas adequadas \u00e0s dificuldades que podem apresentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\nAna\npassou, ent\u00e3o, a estudar o tema: conversou com professores, pais,\npsic\u00f3logos. Durante o primeiro semestre do curso tecn\u00f3logo de\nProjetos Multim\u00eddia, na UniBH, na capital mineira, conheceu um\nprofessor que havia defendido, em sua tese, um jogo para crian\u00e7as\ncom TDAH (Transtorno de D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o). Na mesma \u00e9poca,\nficou sabendo de um pr\u00eamio da Funda\u00e7\u00e3o Santander para\nempreendedores e escreveu seu projeto: ficou em primeiro lugar,\nfrente a mais de 17,6 mil propostas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\nCom\no pr\u00eamio de R$ 100 mil e uma bolsa no curso de empreendedorismo da\nBabson College, ela desenvolveu o aplicativo Brainy Mouse, com base\nno jogo do professor especializado em TDAH. Depois de 6 meses de\nvers\u00e3o Beta, per\u00edodo em que o jogo foi testado com crian\u00e7as de\nBelo Horizonte, S\u00e3o Paulo e nos Estados Unidos, lan\u00e7ou o app\n&#8211;primeiramente na vers\u00e3o em ingl\u00eas e, quatro meses mais tarde, em\nportugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\n&#8220;O\ngame \u00e9 para auxiliar na alfabetiza\u00e7\u00e3o, qualquer crian\u00e7a pode\nbrincar. O que acontece \u00e9 que jogo apresenta argumentos a crian\u00e7as\nque apresentam esse tipo de defici\u00eancia que v\u00e3o desenvolver a\nhabilidade cognitiva dela&#8221;, explicou a criadora do aplicativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\nComo\npode ajudar o autista<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\nPartindo\ndo pressuposto de que cada crian\u00e7a \u00e9 diferente e que existem tr\u00eas\ngraus de autismo &#8211; leve, moderado e severo &#8211; o menu permite que todo\no layout do jogo seja personalizado de acordo com o usu\u00e1rio ou o\nhumor que est\u00e1 naquele dia. Assim, o educador, pai ou profissional\nde sa\u00fade pode alterar cor da tela, idioma, trilha sonora do jogo,\ntamanho da letra, velocidade do ratinho e n\u00edvel de dificuldade de\nacordo com as necessidades do alfabetizando. &#8220;Tem crian\u00e7as que\ns\u00f3 de ver o vermelho, naquele dia espec\u00edfico, se irrita. Outras,\nn\u00e3o gostam, por exemplo, de m\u00fasica cl\u00e1ssica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\nO\njogo se passa dentro de uma cozinha, em que as crian\u00e7as,\nrepresentadas pelo ratinho, tentam montar pratos t\u00edpicos de diversos\npa\u00edses &#8211;entre Brasil, Estados Unidos, Jap\u00e3o, It\u00e1lia, M\u00e9xico,\nAlemanha, Fran\u00e7a e Israel &#8212; juntando os ingredientes, que s\u00e3o\nseparados por s\u00edlabas. Assim, para passar de fase, o jogador \u00e9\nobrigado a montar as palavras, s\u00edlaba por s\u00edlaba, sem deixar que o\nchef o capture. E da esquerda para a direita, para que a crian\u00e7a se\nacostume com a maneira correta da escrita ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\nUma\nferramenta do aplicativo de import\u00e2ncia central no desenvolvimento\ndo autista \u00e9 chamada de Rato Amigo, um ratinho super-her\u00f3i &#8211;com\ncapa e tudo &#8212; que est\u00e1 dispon\u00edvel no canto superior esquerdo da\ntela. Esse dispositivo age diretamente na capacidade de socializa\u00e7\u00e3o\ne intera\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, uma das maiores dificuldades dos\neducadores que trabalham com esse p\u00fablico. Se o jogador perceber que\nn\u00e3o consegue fugir do cozinheiro para montar o prato da vez, ele\npode acionar o superrato, que congela o vil\u00e3o, dando mais tempo para\nrealizar as tarefas. Outra oportunidade de estimular essa habilidade\nsocial, \u00e9 no caso de a crian\u00e7a n\u00e3o conseguir achar alguma s\u00edlaba\ndo ingrediente necess\u00e1rio \n<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\n&#8220;Inconscientemente,\na crian\u00e7a vai percebendo que buscar ajuda e incluir algu\u00e9m na vida\ndela \u00e9 bom. Isso em cadeia, quando se torna uma rotina, vai trazer\nmuitos benef\u00edcios para ela&#8221;, diz a pesquisadora. Um dos\nprincipais sinais de autismo \u00e9 a crian\u00e7a que n\u00e3o se relaciona com\noutras pessoas &#8211;algumas desde que s\u00e3o beb\u00eas t\u00eam dificuldade de\nestabelecer uma comunica\u00e7\u00e3o visual com a m\u00e3e que a amamenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\nOutro\ndetalhe do jogo \u00e9 o joystick, no lado esquerdo da tela, que a\ncrian\u00e7a tem de apertar para que o ratinho se mova. Esse movimento\ndesenvolve a coordena\u00e7\u00e3o motora, j\u00e1 que muitas crian\u00e7as autistas\napresentam dificuldades nesse aspecto. Al\u00e9m disso, quando est\u00e1\njogando, a crian\u00e7a s\u00f3 pode pegar as s\u00edlabas do ingrediente da\nesquerda para a direita &#8211; mais uma dica motora da vida real. Ana\ncontou que jovens autistas que jogam h\u00e1 cerca de 3 meses, de uma a\nduas horas por dia, j\u00e1 come\u00e7am a ter sinais de desenvolvimento.\n&#8220;Eles come\u00e7am a interagir e escrever um pouco melhor.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\n&#8220;Apesar\nde o principal objetivo ser a alfabetiza\u00e7\u00e3o, auxilia sim, na\nmotricidade (grau de for\u00e7a que a crian\u00e7a aplica sobre o bot\u00e3o), na\nautonomia, e na quest\u00e3o da ansiedade &#8211; agindo quase que como um\ncalmante&#8221;, disse o neurologista Felipe Kalil Neto, da PUC do Rio\nGrande do Sul, que \u00e9 especializado em neurologia infantil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\n\nO\nm\u00e9dico ga\u00facho citou outro momento do jogo em que o desenvolvimento\n\u00e9 incentivado. Para ele, quando, antes de come\u00e7ar a brincar, o\npequeno tem de vestir o ratinho, \u00e9 um momento de aux\u00edlio na\nconstru\u00e7\u00e3o de autonomia. &#8220;Geralmente, no dia a dia, s\u00e3o\nadultos dando ordens, e tem algumas crian\u00e7as que n\u00e3o toleram.\nQuando tem um ratinho bonitinho fica mais caloroso, mais l\u00fadico &#8211;o\nmesmo princ\u00edpio da musicoterapia. Com certeza, a crian\u00e7a aprende\nmais f\u00e1cil.&#8221; Ele explicou que algumas crian\u00e7as autistas s\u00f3 se\nalfabetizam ou desenvolvem a fala por meio da terapia com m\u00fasicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\nKalil\nNeto, no entanto, disse que \u00e9 preciso ter cuidado. Apesar de\nacreditar que os meios eletr\u00f4nicos sejam uma ferramenta valiosa para\nlidar com as crian\u00e7as de hoje &#8211;desde que com limite &#8212; ressalta que\nn\u00e3o \u00e9 nenhuma m\u00e1gica. Ele deixa claro que o uso do aplicativo n\u00e3o\nsubstitui o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar composta\nessencialmente por um neurologista (ou psiquiatra), um terapeuta\nocupacional e um fonoaudi\u00f3logo. &#8220;S\u00f3 tenho elogios a esse\naplicativo, mas como m\u00e9todo complementar. Parece ser um joguinho\nbobo, mas \u00e9 de uma complexidade absurda. N\u00e3o vejo nada de\nnegativo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\nJ\u00e1\na psic\u00f3loga Camila Cangu\u00e7u, professora de Psicologia na\nUniversidade de Rochester (USA) at\u00e9 o fim do ano passado, acha\npositivo o ratinho estimular a crian\u00e7a a pedir ajuda e se comunicar\ne lembra que aplicativos criados para tablets e celulares s\u00e3o mais\nf\u00e1ceis de transportar &#8211; j\u00e1 que os brinquedos educativos espec\u00edficos\npara essas crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\nDemocratiza\u00e7\u00e3o\ndo diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\nO\ngame est\u00e1 dispon\u00edvel para Android e iOS e o download do jogo custa\nUS$ 4.99 e d\u00e1 direito a todas as vers\u00f5es e atualiza\u00e7\u00f5es. Tudo que\n\u00e9 arrecadado com os downloads vai para a Funda\u00e7\u00e3o Brainy Mouse,\nentidade sem fins lucrativos, da qual Ana \u00e9 presidente. Segundo ela,\no valor \u00e9 revertido para apoio de pesquisas em prol da cura,\nsolu\u00e7\u00f5es e outros jogos interativos que possam beneficiar crian\u00e7as\ncom autismo, TDAH, distrofia muscular ou s\u00edndrome de Down.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\nEspecialistas\nno assunto concordam que quanto mais precoce o diagn\u00f3stico, mais\nf\u00e1cil \u00e9 a inclus\u00e3o dessas crian\u00e7as. Por isso, \u00e9 importante\nobservar se o beb\u00ea de um ou dois aninhos n\u00e3o fala, vive com o olhar\nperdido, ou anda na pontinha dos p\u00e9s. Ela conta que muitos demoram a\nlevar os filhos o m\u00e9dico porque acreditam &#8216;ser uma fase&#8217;. &#8220;O\nque acontece \u00e9 que os pais t\u00eam vergonha e medo do diagn\u00f3stico.\nEles est\u00e3o muito cansados, sem esperan\u00e7a. Muitos t\u00eam o casamento\ndesfeito &#8211; eles n\u00e3o t\u00eam tempo para eles, porque principalmente a\nm\u00e3e vive em fun\u00e7\u00e3o desse filho&#8221;, lamentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\nFontes:\nAna Sarrizo, pesquisadora e criadora do aplicativo Brainy Mouse;\nCamila Cangu\u00e7u, psic\u00f3loga, ex- professora da Universidade de\nRochester, Mestre em psicologia pela USF e Doutora em psicologia pela\nMedaille College em Nova York; Felipe Kalil Neto, neurologista do\nHospital S\u00e3o Lucas da PUCRS especialista em Neurologia infantil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Fonte<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2019\/07\/31\/aplicativo-de-brasileira-ajuda-na-alfabetizacao-de-criancas-com-autismo.htm \">https:\/\/www.uol.com.br\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Camila Brunelli Colabora\u00e7\u00e3o do UOL VivaBem A OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) estima que h\u00e1 70 milh\u00f5es de pessoas com autismo em todo o mundo, sendo cerca de 2 milh\u00f5es somente no Brasil. 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