{"id":2263,"date":"2015-06-08T02:05:06","date_gmt":"2015-06-08T02:05:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.socepel.com.br\/wpress\/?p=2263"},"modified":"2015-06-09T02:12:42","modified_gmt":"2015-06-09T02:12:42","slug":"professora-surda-da-aulas-na-mesma-escola-de-surdos-em-que-estudou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socepel.com.br\/?p=2263","title":{"rendered":"Professora surda d\u00e1 aulas na mesma escola (de surdos) em que estudou"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\"><span style=\"color: #333333;\"><span style=\"font-size: small;\"><b>Thais d\u00e1 aulas na mesma escola em que estudou<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><a href=\"http:\/\/www.socepel.com.br\/wpress\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Noticia_20150608-1_Imagem.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-2264\" src=\"http:\/\/www.socepel.com.br\/wpress\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Noticia_20150608-1_Imagem.jpg\" alt=\"Noticia_20150608-1_Imagem\" width=\"300\" height=\"420\" srcset=\"https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Noticia_20150608-1_Imagem.jpg 300w, https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Noticia_20150608-1_Imagem-214x300.jpg 214w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em um tempo em que a t\u00f4nica dentro de sala de aula \u00e9 a da integra\u00e7\u00e3o entre alunos deficientes e n\u00e3o-deficientes, uma professora surda defende que, pelo menos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as surdas, a educa\u00e7\u00e3o deve ser feita de maneira separada.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>N\u00e3o completamente. Mas, no ensino b\u00e1sico, a professora Thais Ribeiro de Oliveira Ferreira, 28, afirma que \u00e9 fundamental a crian\u00e7a ser ensinada, primeiramente, em Libras, a l\u00edngua brasileira de sinais para, depois, aprender o portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Pode parecer estranho, mas se tratam, de fato, de duas l\u00ednguas distintas. E as diferen\u00e7as n\u00e3o est\u00e3o apenas no fato de uma ser oralizada ou sonora e a outra gestual. H\u00e1 muito mais para se levar em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma simples entrevista, entre mim e Thais, duas pessoas brasileiras e fluentes em portugu\u00eas, precisou contar com o aux\u00edlio de uma int\u00e9rprete, como se a professora fosse uma estrangeira que estivesse falando japon\u00eas, idioma desconhecido para mim.<\/p>\n<p>Apesar de defender salas separadas nos primeiros anos de educa\u00e7\u00e3o formal, Thais afima que a integra\u00e7\u00e3o entre surdos e ouvintes &#8211; termo usado pelos deficientes auditivos para descrever quem escuta &#8211; deve ser sempre estimulada.<\/p>\n<p>Segundo ela, muitos surdos acabem voluntariamente se fechando em grupos j\u00e1 que n\u00e3o conseguem se oralizar e, por isso, acabam criando uma identidade pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>&#8220;Cada pessoa surda tem a sua experi\u00eancia de vida e sua rela\u00e7\u00e3o com a sociedade. Boa parte dos surdos da minha gera\u00e7\u00e3o tem amigos ouvintes. Minha opini\u00e3o \u00e9 que a integra\u00e7\u00e3o \u00e9 totalmente poss\u00edvel&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>&#8220;Eu fa\u00e7o parte de um grupo de dan\u00e7a com ouvintes. Frequento uma igreja e participo do grupo de ouvintes. A minha gera\u00e7\u00e3o tem isso de interagir melhor com os ouvintes&#8221;, completou, sempre por meio de uma int\u00e9prete.<\/p>\n<p>Falar com um rep\u00f3rter que n\u00e3o sabe palavra alguma em Libras \u00e9 um problema muito pequeno diante do que enfrentou para conseguir o diploma de pedagoga e dar aulas em uma escola paulistana.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda hoje encontro dificuldades na comunica\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes vou a uma loja ou a um restaurante e escrevo ou mostro aquilo que quero e, mesmo assim, o atendente n\u00e3o compreende&#8221;, afirmou, frustrada, Thais.<\/p>\n<p>Para conseguir estudar, fazer amigos, conversar normalmente com outras pessoas e at\u00e9 mesmo ter uma rela\u00e7\u00e3o normal com seus pais, que ouvem normalmente, Thais precisou se isolar do mundo sonoro. Por mais paradoxal que isso possa parecer, o surdo precisa se fechar em um grupo para, enfim, come\u00e7ar a ter uma vida social.<\/p>\n<p>At\u00e9 os nove anos de idade, a jovem n\u00e3o sabia que pessoas surdas como ela existiam. Quer dizer, ela at\u00e9 conseguia entender que havia outros surdos no mundo, mas n\u00e3o imagina que viviam em grupos. Thais, at\u00e9 ent\u00e3o, tentava, com muita dificuldade, estudar em uma escola para &#8220;ouvintes&#8221; &#8211; termo usado pelos surdos para descrever, obviamente, quem escuta.<\/p>\n<p>Seus pais, como escutam, tentaram oraliz\u00e1-la e, de certo modo, tiveram \u00eaxito. Mesmo assim, a dificuldade era enorme. Foi quando o pai de Thais ficou sabendo de uma escola para surdos no bairro de Higien\u00f3polis, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&#8220;Meus pais viam que eu vivia angustiada. As pessoas me desprezavam porque n\u00e3o conseguia me comunicar direito. Quando conheci o Centro de Educa\u00e7\u00e3o para Surdos Rio Branco descobri minha identidade como surda&#8221;, contou.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, aquelas palavras que ela sabia escrever, ficaram mais sentido. Aprender Libras foi um processo r\u00e1pido. Quase natural.<\/p>\n<p>Ela ficou no col\u00e9gio at\u00e9 a quinta s\u00e9rie, quando foi estudar em uma escola com alunos ouvintes. A diferen\u00e7a \u00e9 que a jovem contava com alguns colegas da escola antiga e com uma int\u00e9rprete na sala de aula.<\/p>\n<p>&#8220;A inclus\u00e3o com os ouvintes, ent\u00e3o, se deu de forma diferente da minha experi\u00eancia anterior. Agora, eles tinham curiosidade para aprender a l\u00edngua de sinais, por exemplo. Comecei a me relacionar normalmente com quem ouvia&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Ao final do ensino m\u00e9dio, Thais decidiu cursar pedagogia e se tornar professora. Entrou na faculdade junto com outras duas colegas surdas e, com a ajuda de uma int\u00e9rprete, se formou.<\/p>\n<p>Hoje, ela \u00e9 professora-assistente na mesma escola para surdos que estudou na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&#8220;Eu sirvo como modelo, mostro minha hist\u00f3ria aos alunos. Eles podem, atrav\u00e9s daquilo que eu conquistei, perceber suas pr\u00f3prias capacidades&#8221;, contou.<\/p>\n<p>Agora, o novo desafio de Thais \u00e9 contar sua hist\u00f3ria e inspirar pessoas na Conven\u00e7\u00e3o Internacional do Rotary, que anualmente \u00e9 organizada em algum canto do mundo. Neste ano, de 6 a 9 de junho, a confer\u00eancia ocorrer\u00e1 em S\u00e3o Paulo. Com int\u00e9rprete, com gestos, de forma escrita ou seja l\u00e1 como for, tudo o que a professora quer \u00e9 que os surdos sejam ouvidos pela sociedade.<\/p>\n<p class=\"western\">Fonte: <a href=\"http:\/\/educacao.uol.com.br\/noticias\/2015\/06\/06\/professora-surda-da-aulas-na-mesma-escola-de-surdos-em-que-estudou.htm?mobile&amp;width=280\" target=\"_blank\">http:\/\/educacao.uol.com.br\/noticias\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Thais d\u00e1 aulas na mesma escola em que estudou Em um tempo em que a t\u00f4nica dentro de sala de aula \u00e9 a da integra\u00e7\u00e3o entre alunos deficientes e n\u00e3o-deficientes, uma professora surda defende que, pelo menos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as surdas, a educa\u00e7\u00e3o deve ser feita de maneira separada. N\u00e3o completamente. 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