{"id":168,"date":"2013-07-18T21:42:56","date_gmt":"2013-07-18T21:42:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.socepel.com.br\/wpress\/?p=168"},"modified":"2013-10-26T21:43:31","modified_gmt":"2013-10-26T21:43:31","slug":"a-vida-e-tao-bela-que-deve-ser-aproveitada-ao-maximo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socepel.com.br\/?p=168","title":{"rendered":"\u201cA vida \u00e9 t\u00e3o bela que deve ser aproveitada ao m\u00e1ximo\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Telmo Fernandes \u00e9 surdo de nascen\u00e7a mas isso n\u00e3o o impede de estar bem integrado na sociedade<\/p>\n<p>Foi a professora da escola prim\u00e1ria que, aos seis anos, descobriu que Telmo Fernandes era surdo. At\u00e9 essa idade os pais julgavam que o filho tinha uma defici\u00eancia mental porque n\u00e3o falava, apenas emitia sons. Depois de consultar m\u00e9dicos chegou-se \u00e0 conclus\u00e3o que a sua surdez era irrevers\u00edvel e que teve origem em complica\u00e7\u00f5es durante o nascimento. Nada que trave a vontade de viver e o desejo de aprender deste jovem m\u00e9dico e advogado, que \u00e9 casado e tem um filho.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.socepel.com.br\/_fotos_noticias\/Noticia_20130718_Imagem.jpg\" width=\"200\" height=\"151\" \/><\/p>\n<p>Telmo Fernandes, 33 anos, \u00e9 advogado, m\u00e9dico de medicina chinesa, com especializa\u00e7\u00e3o em acupunctura, professor universit\u00e1rio, est\u00e1 a tirar doutoramento em ci\u00eancias da educa\u00e7\u00e3o, joga futebol de sal\u00e3o federado, corre, pratica BTT e\u2026 \u00e9 surdo de nascen\u00e7a. Uma limita\u00e7\u00e3o que n\u00e3o lhe afecta o dia-a-dia. Natural de Coimbra, est\u00e1 em F\u00e1tima h\u00e1 cerca de um ano onde \u00e9 coordenador da ac\u00e7\u00e3o pastoral da par\u00f3quia de F\u00e1tima e assessor do padre Rui Marto. \u00c9 casado e tem um filho com 18 meses.<\/p>\n<p>Quem fala com Telmo Fernandes n\u00e3o percebe que \u00e9 surdo. O seu discurso \u00e9 fluente, percept\u00edvel e entende tudo o que lhe \u00e9 dito. O som do telem\u00f3vel est\u00e1 adaptado de maneira a que consiga ouvir o que \u00e9 dito do outro lado da linha. \u201cOs nossos ossos tamb\u00e9m captam sons e atrav\u00e9s da vibra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m consigo perceber o que dizem\u201d, explica.<\/p>\n<p>Foi a professora da escola prim\u00e1ria que, aos seis anos, descobriu que Telmo Fernandes era surdo. At\u00e9 essa idade os pais julgavam que o filho tinha uma defici\u00eancia mental porque n\u00e3o falava, apenas emitia sons. Depois de consultar m\u00e9dicos chegou-se \u00e0 conclus\u00e3o que a sua surdez era irrevers\u00edvel e que teve origem em complica\u00e7\u00f5es durante o nascimento.<\/p>\n<p>Frequentou a escola mas n\u00e3o falava. Por volta dos 15 anos tudo mudou quando Telmo come\u00e7ou a oralizar as palavras. Ainda hoje tanto os m\u00e9dicos como o pr\u00f3prio n\u00e3o sabem explicar como isso aconteceu. Nunca ouviu o som da sua voz nem a dos outros. Confessa que s\u00e3o os seus olhos que ouvem. Aprendeu a ler os l\u00e1bios e percebe pelo rosto e express\u00f5es das pessoas se est\u00e3o a perceber o que est\u00e1 a dizer.<\/p>\n<p>Usa um aparelho auditivo no ouvido direito, desde os seis anos, que apenas ajuda a descodificar alguns sons mais fortes. Tentou colocar um aparelho no outro ouvido mas provocava-lhe desequil\u00edbrio e n\u00e3o se adaptou. \u201cComo autodidacta que sou arranjei mecanismos para entender o que as pessoas dizem, apesar de n\u00e3o ouvir as vozes dos outros. O facto de ter conseguido oralizar deu-me mais independ\u00eancia e autonomia, o que \u00e9 muito importante\u201d, explica a O MIRANTE.<\/p>\n<p>Telmo Fernandes tenta adaptar-se a todas as situa\u00e7\u00f5es, sobretudo a n\u00edvel profissional. Quando est\u00e1 num julgamento, por exemplo, posiciona-se de maneira a conseguir ver todos os intervenientes que estejam na sala e a ver tamb\u00e9m os seus l\u00e1bios para entender o que est\u00e1 a ser dito. Tem tend\u00eancia a controlar a conversa para se sentir seguro.<\/p>\n<p>E ser surdo tamb\u00e9m tem algumas vantagens. O advogado refere que consegue perceber, atrav\u00e9s dos l\u00e1bios, o que algu\u00e9m a cem metros de dist\u00e2ncia est\u00e1 a conversar. Vai a discotecas ocasionalmente mas n\u00e3o \u00e9 algo que adore fazer. \u201cGosto de dan\u00e7ar porque, apesar de n\u00e3o ouvir a m\u00fasica, sinto a vibra\u00e7\u00e3o dos sons. O problema \u00e9 que percebo todas as conversas que se t\u00eam e a maioria n\u00e3o \u00e9 das mais apropriadas\u201d, brinca. Confessa tamb\u00e9m, entre risos, que j\u00e1 fingiu n\u00e3o perceber o que a esposa estava a dizer para n\u00e3o discutirem. \u201cTenho que aproveitar algumas vantagens de ser surdo\u201d, diz.<\/p>\n<p>N\u00e3o precisa de som para ver televis\u00e3o. Basta-lhe ler os l\u00e1bios. O nascimento do filho f\u00ea-lo alterar algumas rotinas. At\u00e9 ent\u00e3o, Telmo n\u00e3o tinha preocupa\u00e7\u00e3o com o barulho que fazia em casa, porque n\u00e3o ouvia. Agora tem cuidado a abrir a porta de entrada ou a arrumar mesas e cadeiras. \u201cTenho que perceber que tenho um beb\u00e9 em casa, que ouve, e pode acordar com o meu barulho\u201d, explica.<\/p>\n<p>Se por algum motivo tem que ficar com o filho em casa n\u00e3o \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o. Existe uma fita que coloca no seu pulso e outra no filho que emite uma vibra\u00e7\u00e3o em caso de choro ou agita\u00e7\u00e3o. Telmo Fernandes vive cada dia como se fosse o \u00faltimo. \u201cA vida \u00e9 t\u00e3o bela que deve ser aproveitada ao m\u00e1ximo. Aprendi a viver com a surdez e aproveito a energia que tenho que ter para ultrapassar todos os obst\u00e1culos para absorver tudo o que a vida tem de melhor\u201d, considera.<\/p>\n<p>A sociedade n\u00e3o est\u00e1 preparada para quem tem alguma defici\u00eancia<\/p>\n<p>O m\u00e9dico e advogado garante que a sociedade n\u00e3o est\u00e1 preparada para os surdos ou para quem tem algum tipo de defici\u00eancia. Diz que se fosse arquitecto desenhava um mundo adequado \u00e0s pessoas surdas. E d\u00e1 v\u00e1rios exemplos. Os surdos n\u00e3o ouvem a campainha tocar. As casas deviam estar equipadas com ilumina\u00e7\u00e3o sonora sempre que a campainha toque. Um surdo quando vai ao hospital n\u00e3o ouve chamarem pela sua vez.<\/p>\n<p>O 112 [n\u00famero de emerg\u00eancia nacional] n\u00e3o tem possibilidade de accionar este meio atrav\u00e9s de mensagem escrita de telem\u00f3vel. A solu\u00e7\u00e3o neste caso \u00e9 enviar mensagem para a Guarda Nacional Republicana (GNR). A televis\u00e3o n\u00e3o tem int\u00e9rprete de l\u00edngua gestual 24 horas por dia em todos os canais.<\/p>\n<p>Telmo Fernandes gosta de dar a conhecer a comunidade surda \u00e0s pessoas e luta pela integra\u00e7\u00e3o dos surdos na sociedade. \u201cSomos pessoas normais que temos algumas barreiras no nosso dia-a-dia porque n\u00e3o ouvimos. A nossa defici\u00eancia ou limita\u00e7\u00e3o \u00e0s vezes \u00e9 a nossa efici\u00eancia. Tamb\u00e9m gosto de explicar que todos podem dar muito a quem mais necessita e que ningu\u00e9m sabe o dia de amanh\u00e3. Esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que pode acontecer a qualquer pessoa\u201d, sublinha.<\/p>\n<p>Considera-se um homem realizado mas tem o sonho de um dia poder criar uma institui\u00e7\u00e3o onde possa ajudar pessoas com defici\u00eancias, incluindo um lar para surdos. \u201cQuem sabe se um dia n\u00e3o consigo\u201d, deixa no ar com o seu sorriso simp\u00e1tico. Pelo que vimos, n\u00e3o existem imposs\u00edveis para Telmo Fernandes.<\/p>\n<p>Fonte:http:\/\/semanal.omirante.pt\/index.asp?idEdicao=609&amp;id=92995&amp;idSeccao=10517&amp;Action=noticia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Telmo Fernandes \u00e9 surdo de nascen\u00e7a mas isso n\u00e3o o impede de estar bem integrado na sociedade Foi a professora da escola prim\u00e1ria que, aos seis anos, descobriu que Telmo Fernandes era surdo. At\u00e9 essa idade os pais julgavam que o filho tinha uma defici\u00eancia mental porque n\u00e3o falava, apenas emitia sons. 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