{"id":1286,"date":"2014-09-08T01:50:40","date_gmt":"2014-09-08T01:50:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.socepel.com.br\/wpress\/?p=1286"},"modified":"2014-09-15T01:56:19","modified_gmt":"2014-09-15T01:56:19","slug":"primeira-professora-com-sindrome-de-down-do-pais-defende-escola-normal-para-todos-e-emociona-plateia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socepel.com.br\/?p=1286","title":{"rendered":"Primeira professora com S\u00edndrome de Down do pa\u00eds defende escola normal para todos e emociona plat\u00e9ia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.socepel.com.br\/wpress\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Noticia_20140908A_Imagem.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1289\" src=\"http:\/\/www.socepel.com.br\/wpress\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Noticia_20140908A_Imagem.jpg\" alt=\"Noticia_20140908A_Imagem\" width=\"600\" height=\"901\" srcset=\"https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Noticia_20140908A_Imagem.jpg 600w, https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Noticia_20140908A_Imagem-199x300.jpg 199w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><br \/>\nA potiguar D\u00e9bora Seabra, de 33 anos, n\u00e3o poderia ter escolhido outra profiss\u00e3o, sen\u00e3o professora. Em sua apresenta\u00e7\u00e3o no encontro internacional Educa\u00e7\u00e3o 360, na tarde deste s\u00e1bado, ela deu uma li\u00e7\u00e3o de supera\u00e7\u00e3o e emocionou a plateia com sua hist\u00f3ria de vida: D\u00e9bora \u00e9 a primeira professora com S\u00edndrome de Down no pa\u00eds e d\u00e1 aulas na Escola Dom\u00e9stica em Natal (RN) a 28 alunos da alfabetiza\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 do time que luta pela Inclus\u00e3o com i mai\u00fasculo, como gosta de repetir.<\/p>\n<p>A jovem destaca o suporte que encontra na fam\u00edlia e defende a escola regular para todos os alunos, sem distin\u00e7\u00e3o. Ela enfrentou dificuldades, sim, mas conta que cresceu fazendo tudo o que qualquer pessoa da idade dela fez e faz, como aulas de bal\u00e9, curso de teatro, &#8220;boas festas americanas em casa&#8221; e trabalhos em lojas, como modelo e recepcionista de eventos e semin\u00e1rios.<\/p>\n<p>&#8211; A inclus\u00e3o come\u00e7a na fam\u00edlia e a minha sempre foi meu porto seguro. Sempre estudei em escolas regulares porque o contr\u00e1rio \u00e9 discriminat\u00f3rio. Inclus\u00e3o ensina a conviver &#8211; disse ela.<\/p>\n<p>D\u00e9bora concluiu o curso de magist\u00e9rio em 2004, na Escola Estadual Professor Luiz Ant\u00f4nio, em Natal. Fez est\u00e1gio e trabalhou voluntariamente como professora auxiliar na Escola Dom\u00e9stica, por dez anos, em fun\u00e7\u00e3o de uma lei estadual que a impedia de receber o benef\u00edcio da pens\u00e3o da m\u00e3e, funcion\u00e1ria aposentada do Minist\u00e9rio P\u00fablico, caso tivesse a carteira assinada. Depois de muita luta, esta foi mais uma das suas vit\u00f3rias e a carteira assinada pela Escola Dom\u00e9stica, onde tamb\u00e9m estudou, chega essa semana.<\/p>\n<p>&#8211; Precisava de dinheiro para sair com os amigos, n\u00e9?! &#8211; disse D\u00e9bora, arrancando risadas das pessoas que acompanhavam sua palestra com muito carinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.socepel.com.br\/wpress\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Noticia_20140908B_Imagem.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1288\" src=\"http:\/\/www.socepel.com.br\/wpress\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Noticia_20140908B_Imagem.jpg\" alt=\"Noticia_20140908B_Imagem\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Noticia_20140908B_Imagem.jpg 600w, https:\/\/socepel.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Noticia_20140908B_Imagem-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a>A professora potiguar D\u00e9bora Seabra Foto: Guilherme Pinto<\/p>\n<p>\u00a0A hist\u00f3ria de vida de D\u00e9bora se reflete nas p\u00e1ginas do livro &#8220;D\u00e9bora conta hist\u00f3rias&#8221;, com oito f\u00e1bulas inclusivas, apenas uma personagem humana e animais considerados &#8220;diferentes&#8221; &#8211; um sapo que n\u00e3o sabe nadar, uma galinha surda e um pato gay, por exemplo. A ideia surgiu em 2010, como presente de Natal para os pais e o irm\u00e3o. O lan\u00e7amento do livro aconteceu em Recife, no Congresso Internacional de Tecnologia da Educa\u00e7\u00e3o. Ela agora quer se dedicar a um livro sobre o que viveu. J\u00e1 come\u00e7ou a escrev\u00ea-lo com calma, entre um jogo e outro do ABC de Natal, que sempre acompanha com o irm\u00e3o. Os domingos, segundo ela, s\u00e3o dos amigos:<\/p>\n<p>&#8211; Gosto de sair, de passear com minhas amigas, de malhar e dan\u00e7ar. Essa \u00e9 minha rotina: trabalho muito durante a semana e fim de semana, depois de curtir minha fam\u00edlia, me divirto com os amigos.<\/p>\n<p>Na escola, como professora auxiliar, participa de todas as atividades, desde o planejamento semanal de aulas, conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, eventos culturais e art\u00edsticos, organiza\u00e7\u00e3o dos arquivos e materiais e brincadeiras com a turminha. \u00c9 D\u00e9bora quem tamb\u00e9m conversa com os pais dos alunos e conta com orgulho que conhece todos eles. \u00c0s sextas, vira e mexe precisa intervir numa briga ou outra entre os alunos, que neste dia podem levar para a escola um brinquedo de casa:<\/p>\n<p>&#8211; A gente senta numa roda e conversa com eles. Fala sobre o respeito.<\/p>\n<p>Era quando faltava respeito, que D\u00e9bora mais sofria. Ainda na escola, foi alvo de bullying e humilha\u00e7\u00e3o. Lembra de colegas que abusavam e pediam seu celular emprestado para gastar por conta. Lembra tamb\u00e9m daqueles que n\u00e3o a queriam nos grupos de trabalho e de disciplinas em que tinha alguma dificuldade maior. D\u00e9bora lembra bem de uma garota que tirou o sapato e a fez cheirar. Neste dia, ela decidiu que seguiria em frente:<\/p>\n<p>&#8211; Pensei &#8216;n\u00e3o vou desistir, n\u00e3o vou desistir&#8217; e gritei com ela. Chamei uma amiga e perguntei o que fazia e ela gritou junto comigo.<\/p>\n<p>Na plateia, a m\u00e3e de uma crian\u00e7a com S\u00edndrome de Down se manifestou, querendo saber o que foi mais dif\u00edcil. Uma professora que este ano recebeu na escola um aluno portador da mesma s\u00edndrome disse que a cada dia todos aprendem com o menino e quis saber sobre o relacionamento dela com as crian\u00e7as. Outra educadora perguntou como os professores podem ajudar mais nessa inclus\u00e3o e um rapaz a questionou sobre planos para o futuro. A cada resposta de D\u00e9bora, era imposs\u00edvel conter a emo\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; Ningu\u00e9m pode passar pelo que eu passei, por humilha\u00e7\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. Tenho dois alunos que s\u00e3o g\u00eameos e a gente trata eles igual. Meu irm\u00e3o e eu somos diferentes, mas meus pais tratam a gente igual tamb\u00e9m. N\u00e3o tenho uma doen\u00e7a, \u00e9 s\u00f3 um jeito diferente de ser. Especial para mim \u00e9 minha fam\u00edlia. A diversidade abre caminhos para todos. Superar dificuldade nos fortalece e traz felicidade.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/sertao24horas.com.br\/site\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=8923:2014-09-07-11-00-28&amp;catid=31:cultura&amp;Itemid=292<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A potiguar D\u00e9bora Seabra, de 33 anos, n\u00e3o poderia ter escolhido outra profiss\u00e3o, sen\u00e3o professora. 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